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FKA twigs – LP1

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Música Eletrônica, R&B, Trip-Hop, Indie-Hop, Ethereal Pop, revival da década de 1990… É prematuro tentar classificar e falar de alguém que faz um som indefinível. Mais complicado ainda é chegar ao final do disco, em êxtase, sabendo que é essencial voltar ao início para perceber a riqueza em todos os detalhes. E só aí cai a ficha: não tem o que se dizer de LP1 da senhorita Tahliah Barnett (nome verdadeiro de FKA twigs).

Senhoras e Senhores, sem mais, o disco do ano.

[90,00]

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La Roux – Trouble In Paradise

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É preocupante quando artistas caem na maldição do segundo álbum. Quando o esforço mais recente, de alguma forma, não consegue atingir a qualidade do trabalho de estreia (leia Hurts e Parallels). Trouble In Paradise é um bom disco, mas não o que se esperava do projeto.

O CD demorou a sair pois Ben Langmaid debandou em 2012 e Elly Jackson segurou a onda até esse ano. Contando com a ajuda de Ian Sherwin e Al Shux, a partir do que já tinha sido feito, ela terminou o trabalho e o disco foi lançado há duas semanas. As “novas” ideias para o som do La Roux deixam de lado o electro/synth pop e, infelizmente, apagam muito daquela criatividade novata de 2009.

Existem bons momentos como: Uptight Downtown, Tropical Chancer e Let Me Down Gently, mas não chegam a sustentar a audição. Pelo menos Jackson conseguiu superar os problemas, ansiedade e pânico, e dar continuidade ao La Roux. Trouble In Paradise está longe de ser esse amadurecimento todo que pintam as críticas internacionais. É um recomeço capenga que não agradará a maioria.

Curioso é perceber que o título escolhido, definitivamente, veio bem a calhar.

[75,00]

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Planeta dos Macacos: O Confronto (Matt Reeves, 2014)

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Planeta dos Macacos: O Confronto, do diretor Matt Reeves, é a continuação do reboot iniciado há três anos em Planeta dos Macacos: A Origem (Rupert Wyatt, 2011). Os produtores conseguiram realizar um trabalho ainda mais satisfatório que o anterior. César, sem sombra de dúvida, é o melhor protagonista dos blockbusters em 2014.

Os efeitos visuais da Weta Digital, desenvolvidos em cima dos macacos, são impressionantes e garantem a total imersão do espectador. O roteiro cumpre bem o seu papel, ainda que o espaço seja limitado. Um porém: teria sido mais surpreendente se um dos assuntos em destaque, sobre a militância em prol dos animais, tivesse ficado no subtexto. Filmes-propaganda têm grandes chances de se tornarem chatos.

Mas felizmente, o mais importante na história é a percepção de César em relação as posturas das espécies ao seu redor. Ao final da sessão é impossível não se questionar como é que macacos ficcionais conseguem refletir sobre conflitos e líderes humanos, os que estão fora da tela, não.

[85,00]

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Kid Cudi – Satellite Flight: The Journey to Mother Moon

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Os melhores discos são descobertos de maneira mais inusitada. Esbarrei em uma música de 2009 do rapper norte-americano Kid Cudi. Day ‘n’ Nite é um hip-hop sem nada muito rebuscado para o estilo, mas foi produzido para grudar na cabeça. Resolvi buscar mais informações depois de duas semanas como uma das mais tocadas em meu MP3 player.

Enquanto navegava pela discografia do cantor na Amazon, logo de início fiquei impressionado com os samples que ouvi do último trabalho do Cudi: Satellite Flight: The Journey to Mother Moon. A curiosidade bateu mais alto e resolvi adquiri-lo digitalmente no iTunes (por enquanto não há lançamento físico). É tão bom quando um artista transcende o estilo que faz (seja qual for sua Arte). Ausente de singles, mas cheio de criatividade, o álbum é para ser ouvido até o fim como uma grande história. Muitos artistas já realizaram esse tipo de proposta e outros tantos falharam… Ele passou com louvor.

Fica até complicado definir para o seu hip-hip o que Kid começou levemente em Man on the Moon: The End of Day (2009), aprofundou em Indicud (2013) e, acredito, chegou ao ápice esse ano. A crítica não gostou (mais limitados do que nunca atualmente) mas o público levou o cantor ao quarto lugar do rank geral da Billboard e em segundo nas categorias de Rap e R&B/Hip Hop. Que bom que as pessoas ainda estão receptivas ao que é diferente.

NOTA: [87,50]

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (Bryan Singer, 2014)

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O PASSADO

Rio de Janeiro, em algum dia de 1990… Estava no banco do Colégio Instituto Guanabara (hoje Miguel Couto), na hora do recreio, lendo uma revista mensal dos X-Men. E me perguntando se um dia iria ver aquele grupo no cinema. Comecei a ler histórias em quadrinhos depois de ter visto Batman (Tim Burton, 1989) no lendário América (Praça Saens Peña).

Procurando como louco nas bancas, um jornaleiro (curioso pela minhas indas e vindas) me indicou a Gibimania (saudosa loja especializada da Tijuca). E Marquinhos, dono do estabelecimento – além de me apresentar a história (Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller) em que Tim Burton se baseou para fazer o filme – acabou me perguntando se eu já havia lido X-Men. Junto com a obra do Morcego, aceitei a sugestão e peguei muitos formatinhos da Editora Abril, inclusive a história de Dias de um Futuro Esquecido. A minha edição era a primeira lançada no Brasil: Superaventuras Marvel nº 45 (agradecimentos ao Angelo Maximo por ter me lembrado em uma conversa no Facebook).

O tempo passou e uma década depois, o primeiro filme dos heróis chegava às telonas. Eu, meu pai e minha prima garantimos a primeira sessão no então recém-inaugurado cinema do Shopping Tijuca (ainda no terceiro andar). Devo ter comprado muitas revistas sobre a produção e voltado inúmeras vezes para rever, mas jamais esquecerei a frase que meu pai disse na época: “Quando você coloca uma coisa na cabeça é difícil de tirar.”

O PRESENTE

Dias de um Futuro Esquecido é o grandioso retorno de Bryan Singer à franquia X-Men e não pode ser considerado como reboot. Na verdade, o diretor consegue fazer uma junção equilibrada de todos os filmes sobre os mutantes já lançados e aponta para um novo caminho (a cena pós-crédito deixa isso bastante claro). Ao longo de duas horas e 11 minutos de fita, sem deixar o público descansar, Synger dirige com maestria e se pudesse deixar uma mensagem antes de começar seria algo mais ou menos assim: “Os X-Men, no cinema, são meus.” Pois foi exatamente esse o recado que ele conseguiu passar.

O roteiro de  Simon Kinberg, em cima da sinopse de Jane Goldman e Matthew Vaughn, cumpre o seu papel como seta futura e adaptação, na medida, da obra de John Byrne e Chris Claremont. Não contêm mais subtexto do que X-Men já tem. O que vivemos no mundo hoje é exatamente o que está no filme. O roteiro de Primeira Classe (Matthew Vaughn, 2011) é pouco mais refinado, até por não ter que lidar com outros seis filmes, mas não tem metade do subtexto de Dias de um Futuro Esquecido. A intenção aqui é organizar e otimizar. Algumas peças não encaixam com o que já aconteceu, mas nada que comprometa a experiência. Nem todo mundo lembrará de todos os detalhes (e alguns são melhor esquecer).

As atuações estão excelentes! Os novatos do futuro deram conta muito bem do recado e Hugh Jackman está ainda mais perfeito como Wolverine. Logan aliás, que apesar de ser o protagonista, não rouba espaço de ninguém. Mas a coisa fica grandiosa mesmo, deixando o espectador com falta de ar, é quando James McAvoy, Michael Fassbender, Patrick Stewart e Ian McKellen estão em cena. É inacreditável o trabalho ímpar desses quatro atores. O filme já vale por isso. Contudo, é recheado de cenas que vão fazer qualquer fã de quadrinhos e moviegoers em geral sorrir de um canto ao outro do rosto. Por exemplo, a do Mercúrio é tão espetacular que faltam palavras para descrevê-la.

A fotografia de Newton Thomas Sigel é impecável. Deve ser muito difícil fazer esse tipo de trabalho em algo cheio de efeitos visuais e ainda por cima com 3D, mas nem tanto para alguém que já tem sessenta filmes no currículo! Falando em dimensões, O 3D não é do tipo que joga coisas na sua direção, e sim aquele que tem profundidade. Possibilitou algumas inserções bacanas mas, no final das contas, não é essencial.

E a montagem? Como não deixá-la confusa quando se tem viagem no tempo que vai e volta a todo instante? Apesar de ser bem complicado, John Ottman conseguiu um resultado tranquilamente satisfatório. As duas primeiras partes servem bem a narrativa e o terceiro ato é digno de elogios. Ottman também é o compositor da trilha sonora. Trouxe de volta o tema que escreveu para X-Men 2 (Bryan Singer, 2003) e fez ótimas sustentações durante todo o filme.

O FUTURO

Espero realmente que a acusação de pedofilia em cima de Bryan Singer seja uma mentira para que ele possa dar continuidade a esse grande trabalho. Não adianta fugir (Superman: O Retorno; Jack, o Caçador de Gigantes e etc)… A história dos X-Men voltou com tudo e precisa manter o grande nível depois de Dias de um Futuro Esquecido. Lembrei agora, voltando àquele meu passado de 1989/1990, que fiquei um bom tempo pensando no título. E a conclusão que cheguei na época é a mesma de quando saí do cinema: é genial demais. Tinha mesmo que dar uma história sensacional.

Nota revista: [90,00]

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Noé (Darren Aronofsky, 2014)

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Descaradamente parcial:

É indispensável, quando se é fã de um diretor, entrar no cinema sabendo pouco, ou quase nada, sobre o filme. Notícias sobre bastidores, censura e repercussão do público era tudo que tinha lido a respeito da produção de Darren Aronofsky. Entretanto, a história da Arca de Noé não tem surpresas. E disseram que sua visão era fantasiosa demais (?!). Fui conferir.

Incrementando a narrativa, o diretor e o co-roteirista Ari Handel optaram sim por algumas liberdades ficcionais. Escolhas artísticas deram certo e outras não (como em qualquer filme). O que acontece é que nesta versão, elas ficam bastante equilibradas. São tantas coisas permeando o discurso que fica difícil escrever algo conciso. Por alto:

Sem entrar no mérito da religião (cada uma com seu cada qual), a história foi idealizada com bastante respeito e os radicais não têm sentido algum em seus questionamentos. Os efeitos visuais ficaram excelentes, mas exageraram no CGI. As atuações estavam boas e até me surpreendi com os novatos. A construção do protagonista teve uma abordagem interessantíssima. A trilha sonora do grande Clint Mansell ficou genérica (o que aconteceu??). As explanações textuais são inspiradoras e estamparam lindamente o cinema. Por fim, a montagem – ponto de turbulência entre estúdio e diretor – esquisita. Ainda que, como divulgado oficialmente, Aronofsky tenha vencido a “guerra”. Duvido.

Preciso rever, e de preferência com um novo corte em home video. Mas Noé é o filme que menos gostei do Darren. A inspiração veio do poema de escola e parece que muito daquele Aronofsky criança (indeciso) conduziu o filme. Melhora quando você acha que vai ficar ruim e piora quando você acha vai engatar de vez. A genialidade do diretor ficou apagada. O roteiro confuso… Ser fã é um problema.

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Above & Beyond – Acoustic

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A ideia de um álbum com versões acústicas do Above & Beyond parecia algo sensacional. Foram realizadas algumas apresentações nesse formato em 2013 e a resposta da crítica e do público foi bastante positiva.

Ao que parece, a experiência só é válida mesmo ao vivo. No disco, pelo menos, a maioria das músicas não funciona. E porque será que Justine Suissa (OceanLab) não está em nenhuma das faixas?

Seria bem mais interessante se o trio se empenhasse em acelerar o disco de inéditas programado para esse ano. Enquanto isso, o Group Therapy (programa de rádio) ainda é a melhor coisa deles no momento.

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Remember Me – Oliver Deriviere

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[92,50]

The first time I heard the Remember Me music was on a YouTube demo gameplay in beginning of the year. My first re/action was to do a big search on the internet to discover from which futuristic movie that terrific score originated from. My jaw dropped to discover that was actually the music of the upcoming game recorded by the Philharmonia Orchestra and composed by a French musician.

Film soundtracks are part of my life, not only because of my passion for films, but because my first contact ever with this world was in the mid-1980’s via John Williams’s Star Wars theme and the Blade Runner jewel by the great Vangelis. I have no doubt in saying that what Olivier Derivieri did here is among the greatest sci-fi scores ever. Also, it is one the best records of the year.

I bought the Remember me soundtrack before playing the actual game. I kept thinking that this was the most surprising musical release of 2013. Electronic music seems to divide opinions since the first decades of 2oth century (see Otto Maria Carpeaux’s O Livro de Ouro da História da Música: Da Idade Média ao Século XX*). But the fact is that Musique Concrete was the “manipulated” result of the experiments done using Classical music. This process, obviously, was very criticized at that time.

Now imagine something that combine both of these elements. Of course some will dislike the rework of traditional music, as I said above, but there is no other way to do it. Let´s face it: how can you write a soundtrack to an imagined world where the main protagonist has to manipulate memories (something 100% human) remixing (something so mechanical) them?

So what Mr. Deriviere accomplished, I don’t know if intentional or not, was to electronically remix the music recorded by the orchestra. It worked perfectly with the Nilin’s history and the concept behind of the cyberpunk game. In a “hopeless” dystopian society, where the future must learn with the past, post electronic world must reunite with ethics and moral. He just got it right.

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Oliver Derivieri with the Philharmonia Orchestra

The only problem with the album is the short run-time. The pleasing quality of this work demands repeated more listening. How many times can you listen The Fight in repeat mode? Perhaps the most brilliant song in the album. Our Parents is another glorious track. Many movie composers have tried to do something like that in the past, but only Oliver triumphed. With sensibility and originality, he created an emotional and epic piece of work.

I really hope movie producers and directors listen to this soundtrack and commission Olivier for great projects, documentaries and films. The moviegoers are missing out one of the best composers of our generation. Thank you very much, Derivieri. Also a special thanks to Marion and everyone at AMEO Prod.

iTunes

Amazon

CDBaby

* The book is only available in Portuguese.

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Amor Pleno (Terrence Malick, 2012)

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[80,00]

Não se tem muito o que escrever sobre uma produção de Terrence Malick. Tudo já foi dito e repetido. Ainda que “Amor Pleno” não seja um de seus melhores filmes, isso pouco importa. O diretor, um dos poucos seletos no mundo, continua realizando o verdadeiro Cinema.

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O Homem de Aço (Zack Snyder, 2013)

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[62,50]

O otimismo era imenso na ocasião do anúncio do filme. Com argumento de David Goyer e Christopher Nolan (Trilogia do Cavaleiro das Trevas) e direção de Zack Snyder, esse hype foi multiplicado pelos posters e sensacionais trailers. Esse Superman tinha tudo para dar certo e se libertar de vez do ano de 1978. Tudo não passou de um alarme falso.

Apesar da boa ideia em ambientar a produção com tom sci-fi, o filme exagera em muitas escolhas. Krypton foi avatarizado demais, algumas justificativas são dispensáveis para um alienígena, o abuso nos efeitos visuais é desmotivante e a destruição no final passou do tolerável. Resolveram seguir a linha da Marvel Studios (que só acertou em “Os Vingadores”)?

O Super-Homem de Henry Cavill é bom, mas peca no carisma.  Amy Adams, Russell Crowe, Laurence Fishburne e Diane Lane estavam apagados. Apesar da ótima atuação, o vilão de Michael Shannon não saiu como esperado. O destaque mesmo ficou por conta de Kevin Costner que quase rouba o filme em uma cena emocionalmente dramática.

Inspirada em Emmanuel Lubezki, a fotografia de Amir Mokri é linda. Já a narrativa não-linear, que tanto funcionou em Batman Begins, faz um desserviço ao filme. Isso prejudicou bastante a montagem de David Brenner. O roteiro de David Goyer é vazio e jamais deveriam ter deixado ele sozinho em algo desse porte. A trilha sonora do grande Hanz Zimmer ficou apagada dessa vez. Faltou criatividade.

Nas adaptações para o Cinema, sejam de teatro, livro ou graphic novel, nunca foi essencial seguir as obras originais. A polêmica decisão do diretor em relação ao viés moral do herói no final, por mais que ele já tenha feito isso nos quadrinhos, está fora da aura de Kal-El que o mundo abraçou. Que “O Homem de Aço” possa, pelo menos, ser o pontapé inicial para o Universo DC no Cinema. Esta é única esperança que fica.

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Remember Me

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No início de 2012, enquanto realizava a leitura diária de um fórum sobre cyberpunk, esbarrei no primeiro vídeo de Remember Me. E soube, desde aquele primeiro momento, que se tratava de algo especial. O jogo, ao lado de Watch Dogs, rapidamente passou a ser um dos assuntos mais comentados do tópico. Entretanto, pouco mais de um ano depois, esse entusiamo parece não ter durado. Nem mesmo em grupos especializados nas redes sociais.

Um dia antes do combinado com a Capcom (distribuidora do jogo), o IGN, site especializado em games, soltou sua crítica esmagadora. Daniel Krupa, de forma bastante superficial, deu uma das piores notas do veículo em anos. Enfatizou em seu texto os problemas técnicos da produção. Nesse quesito, suas reclamações até fazem sentido. Mas o impacto de sua opinião sobre os jovens, que não tem senso crítico, já tinha feito escravos.

Como nas críticas de Cinema, em que as pessoas esperam pelo veredito do bonequinho sabe-tudo, os jovens players, que tanto se dizem diferentes do senso comum, preferem deixar que alguém lhes diga o que é bom ou ruim. Reclamam da mídia em geral, embora achem que a especializada é diferente. O ser humano permanece inocente e curioso, não é mesmo?

Ainda bem que existem alguns que se baseiam apenas nas sinopses. São estes que não entenderam o motivo de tanto ódio dos críticos em relação a “Remember Me”. E concluem que a ideia por trás de um filme, game ou livro é o fator mais importante de uma obra. O mundo do entretenimento está entorpecido. Nos games só existe espaço para shooters, zumbis, guerras e RPGs medievais. E isso é muito triste.

A produtora DONTNOD, que trabalhou no jogo por cinco anos, sabia muito bem que o que queria. Uma aventura sci-fi cyberpunk com influência direta do gênero. Um heroína mestiça que rouba e altera memórias em uma metrópole dominada por uma megacorporação. Sem deixar de lado as pinceladas filosóficas e a trilha sonora ambientada para esse tipo de história.

A princípio seria um exclusivo para Playstation 3. Mas a Sony, dentre outras coisas, queria um homem como caçador de memórias. Os criadores não abriram mão e a multinacional saiu do projeto. Os reais motivos (machismo), infelizmente, não foram revelados. Mais tarde, a Capcom abraçou a ideia e as primeiras informações foram divulgadas na Gamescom 2012.

Lançado no dia 4 de junho, “Remember Me” tem, efetivamente, algumas questões que poderiam ter sido diferentes. A mais importante delas é a jogabilidade. A câmera mexe sozinha na hora dos saltos e lutas. O mundo é riquíssimo, mas impede o jogador de explorá-lo. Os detalhes estão lá assim como as barreiras de um jogo linear. Acredita-se que inicialmente tenha sido planejado para ser free roam porque realmente é tudo muito bem feito nesses ambientes que não se pode alcançar. Contudo, o orçamento de finalização da Capcom provavelmente comprometeu uma série de coisas.

Outro ponto é o tamanho do jogo: apenas oito capítulos. Histórias interativas como essa precisam ser maiores. A jornada de Nilin se passa em Neo-Paris e portanto não temos como combater muitos inimigos diferentes. Mas, pelo menos, cada um dos chefes de fase poderiam ter uma dinâmica própria. Ainda no lado técnico, a dublagem tem problemas de sincronia.

Mas como dito antes, e mesmo com os problemas citados, o crucial aqui é a história. A equipe de criação está de parabéns pela ideia do jogo. A ambientação em um futuro distópico, todo o conceito cyberpunk, a trilha sonora magistral criada por Olivier Deriviere, o drama familiar e a filosofia são as únicas coisas que importam. Já pararam para pensar no quão poderoso seria remixar memórias alheias? Mudar a vida de milhões e os problemas que isso poderia acarretar? Seria interferir na ética e no livre-arbítrio de cada ser humano! Tecnologicamente assustador.

RememberMe_MemoryRemixInspirado em filmes como Blade Runner e Strange Days, livros como 1984, Do Androids Dream of Electric Sheep? e Neuromancer, Remember Me é único. E que, me parece, ainda será muito comentado num futuro breve. Até porque agora, Nilin precisa dar um jeito no mundo que, indiretamente, ajudou a destruir.

Remember you soon,

Felipe Boreli

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Tricky, Emika e o Trip Hop

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[80,00]

Desde 1995 que não perco nada que o Tricy faz. Sua produção é sempre impecável. E seu novo trabalho é mais uma prova do seu genial talento. Para muitos, trip hop é uma música chata e, por muito tempo, erótica (era usada durante relações sexuais). Mas ainda bem que o “Third” do Portishead, o “Heligoland” do Massive Attack e o “The Less You Know, the Better” do DJ Shadow colocaram novamente o vagão no trilho.

“False Idols” é um álbum que, como “Heligolan”, tem a necessidade de voltar à origem. E, portanto, perde um pouco a oportunidade de inserir idéias atuais. Por outro lado, Tricky soube escolher bem seus convidados. E isto enriquece bastante o disco nas repetidas vezes em que se ouve. Quem viveu a década de 1990 pode, mais uma vez, comemorar. Os jovens, por favor, permitam-se a ouvir algo diferente.

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[80,00]

Fazendo o garimpo diário pelos muitos blogs e fóruns de música em 2011, me deparei com o primeiro trabalho de Emika. Foi amor à primeira ouvida. Ela tem aquele frescor que falta aos novos projetos dos veteranos. Som vigorosamente articulado, atmosfera dark e letras significativas impressionam no disco homônimo de 2011.

Em seu segundo trabalho, DVA, Ema Jolly conseguiu inovar ainda mais. Deixou seu trip hop mais soturno, flertou com o dubstep e resolveu experimentar de vez. Como tenho dito no blog, o problema da experimentação é ausência de foco e domínio. Pode parecer estranho falar isso de alguém que não tem medo, mas os ousados precisam ter cuidado também. Mesmo assim, esse porém não tira o brilho da menina prodígio. Tem até cover de Wicked Game do Chris Isaak!

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Daft Punk – Random Access Memories

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O Daft Punk está menos pop e isso precisa ser comemorado. “Random Access Memories” é um retorno bastante satisfatório. Apesar dos poderosos hit singles com convidados famosos, a dupla realizou um trabalho bem experimental em tom de homenagem. Se essa nova abordagem tivesse sido um pouco mais trabalhada, o álbum seria melhor.

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Somos Tão Jovens (Antonio Carlos da Fontoura, 2013)

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Realizar um filme sobre a vida de Renato Russo é um enorme desafio. Os fãs, que sempre se renovam, sabem de detalhes íntimos do vocalista da Legião Urbana. A produção na mão de Antonio Carlos da Fontoura parecia nos assegurar de todos os perigos. Mas no final da jornada, não foi isso que aconteceu.

“Somos Tão Jovens” é um filme que falha em vários aspéctos: roteiro, atuação, edição e carinho artísitico. Apesar do esforço de Thiago Mendonça, sua atuação é muito caricata. A montagem do filme é completamente picotada (parece que foi feita às pressas para a TV). Os momentos mais delicados e emocionais, que mereciam uma fotografia e ritmo diferenciados, parecem resultado de iniciante.

Entretanto, a pior escolha ficou para o final. Como Breno Silveira em “2 Filhos de Francisco” (que é um bom filme), Fontoura resolveu colocar um show verdadeiro da banda. É preciso que os cineastas no Brasil entendam a diferença entre ficção e documentário. E a apresentação ainda era a do Metropolitan em 1994 e não a do no Circo Voador em 1985 (como o espectador estava acompanhando).

Ao término da sessão, já saíndo da sala de Cinema, uma menina comenta com os amigos: “Pura falta de respeito“.

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Homem de Ferro 3 (Shane Black, 2013)

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[57,50]

Depois de 4 tentativas tenebrosas e uma boa (“Homem de Ferro 1”), a Marvel acertou em cheio com “Os Vingadores”. Contudo, inacreditavelmente, resolveram voltar atrás com “Homem de Ferro 3”.

É um filme que começa mal, dá esperanças de melhorar e morre na praia. A geração “loja de 1,99”, pelo que já li, ficou feliz com o resultado. Mas só Joss Whedon parece dar jeito nesse universo pop no Cinema.

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Depeche Mode – Delta Machine

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 Nota Revista* [82,50]

Qual é o segredo desta banda? Já andaram por vários estilos, mas sempre tem a raíz intacta. O som que os meninos fazem desde Exciter em 2001 pode não agradar os fãs que estão na casa dos 40… Mesmo assim, não se vê nenhum deles largando o grupo. A atmosfera épica permanece significativa em mais um trabalho.

O novo álbum está bem mais slow motion que “Playing the Angel” e “Sounds of the Universe”. Esse é um caminho que eles já trilhavam, bem mais contidos, há bastante tempo. Contudo, não deixaram de lado a meticulosa produção no estúdio. Sintetizadores analógicos caminham de mãos dadas com os digitais e instrumentos concencionais.

Talvez não seja culpa dos artistas consagrados o abandono das BPMs aceleradas, mas sim da banalização alucinada da música eletrônica. Por esse prisma, ainda bem que o Depeche Mode está se aprofundando na criativa “engenharia pop-eletrônica”. E mesmo com a ausência de hit singles, a proposta de “Delta Machine” precisa ser celebrada.

– – –

Minha deluxe edition em CD chegou dos EUA e após ouvir as 17 faixas em um bom som potente, a nota precisou subir. Álbum sensacional.

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Hurts – Exile

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[72,50]

A dupla decidiu flertar com a guitarra e acabou descaracterizando o belíssimo som do primeiro disco. Do epic pop para o epic pop-rock sem maestria.

Entretanto, algumas faixas mantém a qualidade e conseguem salvar o álbum. Mas foi por pouco… Aguardemos o próximo.

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David Bowie – The Next Day

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[80,00]

Depois de tanto tempo, a primeira impressão deixada é de pura alegria. E também de alívio desde “Earthling”. Ouvir Bowie cantando novas músicas é matar uma saudade imensa. Entretanto, alguns Davids ficaram de fora dessa reunião…

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Oscar 2013: Vencedores – Affleck & Lee

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Ang Lee agradece ao Deus do Cinema

Embora a noite tenha sido justa, a Academia sempre vai causar polêmica. As desse ano foram:

– Django Livre tem uma história realmente mais original que Amor?

– Daniel Day-Lewis, apesar de sensacional em Lincon, não poderia ter ficado de fora dessa vez? Joaquin Phoenix não mereceia ganhar seu primeiro Oscar?

Mas as coisas por lá funcionam assim… Nem todos os membros são norte-americanos mas pensam como tal. Entretanto, Ang Lee e Ben Affleck mereceram!

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A Hora Mais Escura (Kathryn Bigelow, 2012)

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[75,00]

A importância da direção em um filme que poderia ser quase nulo.

2 Comentários

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O Lado Bom da Vida (David O. Russell, 2012)

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[77,50]

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Argo (Ben Affleck, 2012)

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[80,00]

É uma satisfação enorme constatar o progresso de Ben Affleck.

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O Mestre (Paul Thomas Anderson, 2012)

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Nota revista: [82,50]

Oscar para Joaquin Phoenix !

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Lincoln (Steven Spielberg, 2012)

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[77,50]

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Amor (Michael Haneke, 2012)

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[87,50]

Ao final de “Amour”, um senhora comenta ao me lado com a amiga: “Esse filme é para não esquecer”. Queria ter dito que concordava muito com ela, mas já estava descendo as escadas da sala de Cinema. Eu precisava andar… Andar e pensar na Obra de Michael Haneke…

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A Viagem (Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer, 2012)

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[70,00]

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As Aventuras de Pi (Ang Lee, 2012)

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Nota revista: [82,50]

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Yan Wagner – Forty Eight Hours

Nota revista: [90,00]

Yan Wagner sabe injetar muito bem suas inflências no trabalho. Bastante criativo e cativante, mesmo que não original.

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Festival do Rio: Indomável Sonhadora (Benh Zeitlin, 2012)

[85,00]

Sensacional! E essa menina foi um achado!!

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Festival do Rio: Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012)

[82,50]

Cativante.

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