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FKA twigs – LP1

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Música Eletrônica, R&B, Trip-Hop, Indie-Hop, Ethereal Pop, revival da década de 1990… É prematuro tentar classificar e falar de alguém que faz um som indefinível. Mais complicado ainda é chegar ao final do disco, em êxtase, sabendo que é essencial voltar ao início para perceber a riqueza em todos os detalhes. E só aí cai a ficha: não tem o que se dizer de LP1 da senhorita Tahliah Barnett (nome verdadeiro de FKA twigs).

Senhoras e Senhores, sem mais, o disco do ano.

[90,00]

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La Roux – Trouble In Paradise

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É preocupante quando artistas caem na maldição do segundo álbum. Quando o esforço mais recente, de alguma forma, não consegue atingir a qualidade do trabalho de estreia (leia Hurts e Parallels). Trouble In Paradise é um bom disco, mas não o que se esperava do projeto.

O CD demorou a sair pois Ben Langmaid debandou em 2012 e Elly Jackson segurou a onda até esse ano. Contando com a ajuda de Ian Sherwin e Al Shux, a partir do que já tinha sido feito, ela terminou o trabalho e o disco foi lançado há duas semanas. As “novas” ideias para o som do La Roux deixam de lado o electro/synth pop e, infelizmente, apagam muito daquela criatividade novata de 2009.

Existem bons momentos como: Uptight Downtown, Tropical Chancer e Let Me Down Gently, mas não chegam a sustentar a audição. Pelo menos Jackson conseguiu superar os problemas, ansiedade e pânico, e dar continuidade ao La Roux. Trouble In Paradise está longe de ser esse amadurecimento todo que pintam as críticas internacionais. É um recomeço capenga que não agradará a maioria.

Curioso é perceber que o título escolhido, definitivamente, veio bem a calhar.

[75,00]

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Planeta dos Macacos: O Confronto (Matt Reeves, 2014)

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Planeta dos Macacos: O Confronto, do diretor Matt Reeves, é a continuação do reboot iniciado há três anos em Planeta dos Macacos: A Origem (Rupert Wyatt, 2011). Os produtores conseguiram realizar um trabalho ainda mais satisfatório que o anterior. César, sem sombra de dúvida, é o melhor protagonista dos blockbusters em 2014.

Os efeitos visuais da Weta Digital, desenvolvidos em cima dos macacos, são impressionantes e garantem a total imersão do espectador. O roteiro cumpre bem o seu papel, ainda que o espaço seja limitado. Um porém: teria sido mais surpreendente se um dos assuntos em destaque, sobre a militância em prol dos animais, tivesse ficado no subtexto. Filmes-propaganda têm grandes chances de se tornarem chatos.

Mas felizmente, o mais importante na história é a percepção de César em relação as posturas das espécies ao seu redor. Ao final da sessão é impossível não se questionar como é que macacos ficcionais conseguem refletir sobre conflitos e líderes humanos, os que estão fora da tela, não.

[85,00]

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Kid Cudi – Satellite Flight: The Journey to Mother Moon

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Os melhores discos são descobertos de maneira mais inusitada. Esbarrei em uma música de 2009 do rapper norte-americano Kid Cudi. Day ‘n’ Nite é um hip-hop sem nada muito rebuscado para o estilo, mas foi produzido para grudar na cabeça. Resolvi buscar mais informações depois de duas semanas como uma das mais tocadas em meu MP3 player.

Enquanto navegava pela discografia do cantor na Amazon, logo de início fiquei impressionado com os samples que ouvi do último trabalho do Cudi: Satellite Flight: The Journey to Mother Moon. A curiosidade bateu mais alto e resolvi adquiri-lo digitalmente no iTunes (por enquanto não há lançamento físico). É tão bom quando um artista transcende o estilo que faz (seja qual for sua Arte). Ausente de singles, mas cheio de criatividade, o álbum é para ser ouvido até o fim como uma grande história. Muitos artistas já realizaram esse tipo de proposta e outros tantos falharam… Ele passou com louvor.

Fica até complicado definir para o seu hip-hip o que Kid começou levemente em Man on the Moon: The End of Day (2009), aprofundou em Indicud (2013) e, acredito, chegou ao ápice esse ano. A crítica não gostou (mais limitados do que nunca atualmente) mas o público levou o cantor ao quarto lugar do rank geral da Billboard e em segundo nas categorias de Rap e R&B/Hip Hop. Que bom que as pessoas ainda estão receptivas ao que é diferente.

NOTA: [87,50]

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (Bryan Singer, 2014)

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O PASSADO

Rio de Janeiro, em algum dia de 1990… Estava no banco do Colégio Instituto Guanabara (hoje Miguel Couto), na hora do recreio, lendo uma revista mensal dos X-Men. E me perguntando se um dia iria ver aquele grupo no cinema. Comecei a ler histórias em quadrinhos depois de ter visto Batman (Tim Burton, 1989) no lendário América (Praça Saens Peña).

Procurando como louco nas bancas, um jornaleiro (curioso pela minhas indas e vindas) me indicou a Gibimania (saudosa loja especializada da Tijuca). E Marquinhos, dono do estabelecimento – além de me apresentar a história (Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller) em que Tim Burton se baseou para fazer o filme – acabou me perguntando se eu já havia lido X-Men. Junto com a obra do Morcego, aceitei a sugestão e peguei muitos formatinhos da Editora Abril, inclusive a história de Dias de um Futuro Esquecido. A minha edição era a primeira lançada no Brasil: Superaventuras Marvel nº 45 (agradecimentos ao Angelo Maximo por ter me lembrado em uma conversa no Facebook).

O tempo passou e uma década depois, o primeiro filme dos heróis chegava às telonas. Eu, meu pai e minha prima garantimos a primeira sessão no então recém-inaugurado cinema do Shopping Tijuca (ainda no terceiro andar). Devo ter comprado muitas revistas sobre a produção e voltado inúmeras vezes para rever, mas jamais esquecerei a frase que meu pai disse na época: “Quando você coloca uma coisa na cabeça é difícil de tirar.”

O PRESENTE

Dias de um Futuro Esquecido é o grandioso retorno de Bryan Singer à franquia X-Men e não pode ser considerado como reboot. Na verdade, o diretor consegue fazer uma junção equilibrada de todos os filmes sobre os mutantes já lançados e aponta para um novo caminho (a cena pós-crédito deixa isso bastante claro). Ao longo de duas horas e 11 minutos de fita, sem deixar o público descansar, Synger dirige com maestria e se pudesse deixar uma mensagem antes de começar seria algo mais ou menos assim: “Os X-Men, no cinema, são meus.” Pois foi exatamente esse o recado que ele conseguiu passar.

O roteiro de  Simon Kinberg, em cima da sinopse de Jane Goldman e Matthew Vaughn, cumpre o seu papel como seta futura e adaptação, na medida, da obra de John Byrne e Chris Claremont. Não contêm mais subtexto do que X-Men já tem. O que vivemos no mundo hoje é exatamente o que está no filme. O roteiro de Primeira Classe (Matthew Vaughn, 2011) é pouco mais refinado, até por não ter que lidar com outros seis filmes, mas não tem metade do subtexto de Dias de um Futuro Esquecido. A intenção aqui é organizar e otimizar. Algumas peças não encaixam com o que já aconteceu, mas nada que comprometa a experiência. Nem todo mundo lembrará de todos os detalhes (e alguns são melhor esquecer).

As atuações estão excelentes! Os novatos do futuro deram conta muito bem do recado e Hugh Jackman está ainda mais perfeito como Wolverine. Logan aliás, que apesar de ser o protagonista, não rouba espaço de ninguém. Mas a coisa fica grandiosa mesmo, deixando o espectador com falta de ar, é quando James McAvoy, Michael Fassbender, Patrick Stewart e Ian McKellen estão em cena. É inacreditável o trabalho ímpar desses quatro atores. O filme já vale por isso. Contudo, é recheado de cenas que vão fazer qualquer fã de quadrinhos e moviegoers em geral sorrir de um canto ao outro do rosto. Por exemplo, a do Mercúrio é tão espetacular que faltam palavras para descrevê-la.

A fotografia de Newton Thomas Sigel é impecável. Deve ser muito difícil fazer esse tipo de trabalho em algo cheio de efeitos visuais e ainda por cima com 3D, mas nem tanto para alguém que já tem sessenta filmes no currículo! Falando em dimensões, O 3D não é do tipo que joga coisas na sua direção, e sim aquele que tem profundidade. Possibilitou algumas inserções bacanas mas, no final das contas, não é essencial.

E a montagem? Como não deixá-la confusa quando se tem viagem no tempo que vai e volta a todo instante? Apesar de ser bem complicado, John Ottman conseguiu um resultado tranquilamente satisfatório. As duas primeiras partes servem bem a narrativa e o terceiro ato é digno de elogios. Ottman também é o compositor da trilha sonora. Trouxe de volta o tema que escreveu para X-Men 2 (Bryan Singer, 2003) e fez ótimas sustentações durante todo o filme.

O FUTURO

Espero realmente que a acusação de pedofilia em cima de Bryan Singer seja uma mentira para que ele possa dar continuidade a esse grande trabalho. Não adianta fugir (Superman: O Retorno; Jack, o Caçador de Gigantes e etc)… A história dos X-Men voltou com tudo e precisa manter o grande nível depois de Dias de um Futuro Esquecido. Lembrei agora, voltando àquele meu passado de 1989/1990, que fiquei um bom tempo pensando no título. E a conclusão que cheguei na época é a mesma de quando saí do cinema: é genial demais. Tinha mesmo que dar uma história sensacional.

Nota revista: [90,00]

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Noé (Darren Aronofsky, 2014)

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Descaradamente parcial:

É indispensável, quando se é fã de um diretor, entrar no cinema sabendo pouco, ou quase nada, sobre o filme. Notícias sobre bastidores, censura e repercussão do público era tudo que tinha lido a respeito da produção de Darren Aronofsky. Entretanto, a história da Arca de Noé não tem surpresas. E disseram que sua visão era fantasiosa demais (?!). Fui conferir.

Incrementando a narrativa, o diretor e o co-roteirista Ari Handel optaram sim por algumas liberdades ficcionais. Escolhas artísticas deram certo e outras não (como em qualquer filme). O que acontece é que nesta versão, elas ficam bastante equilibradas. São tantas coisas permeando o discurso que fica difícil escrever algo conciso. Por alto:

Sem entrar no mérito da religião (cada uma com seu cada qual), a história foi idealizada com bastante respeito e os radicais não têm sentido algum em seus questionamentos. Os efeitos visuais ficaram excelentes, mas exageraram no CGI. As atuações estavam boas e até me surpreendi com os novatos. A construção do protagonista teve uma abordagem interessantíssima. A trilha sonora do grande Clint Mansell ficou genérica (o que aconteceu??). As explanações textuais são inspiradoras e estamparam lindamente o cinema. Por fim, a montagem – ponto de turbulência entre estúdio e diretor – esquisita. Ainda que, como divulgado oficialmente, Aronofsky tenha vencido a “guerra”. Duvido.

Preciso rever, e de preferência com um novo corte em home video. Mas Noé é o filme que menos gostei do Darren. A inspiração veio do poema de escola e parece que muito daquele Aronofsky criança (indeciso) conduziu o filme. Melhora quando você acha que vai ficar ruim e piora quando você acha vai engatar de vez. A genialidade do diretor ficou apagada. O roteiro confuso… Ser fã é um problema.

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Above & Beyond – Acoustic

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A ideia de um álbum com versões acústicas do Above & Beyond parecia algo sensacional. Foram realizadas algumas apresentações nesse formato em 2013 e a resposta da crítica e do público foi bastante positiva.

Ao que parece, a experiência só é válida mesmo ao vivo. No disco, pelo menos, a maioria das músicas não funciona. E porque será que Justine Suissa (OceanLab) não está em nenhuma das faixas?

Seria bem mais interessante se o trio se empenhasse em acelerar o disco de inéditas programado para esse ano. Enquanto isso, o Group Therapy (programa de rádio) ainda é a melhor coisa deles no momento.

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