Remember Me

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No início de 2012, enquanto realizava a leitura diária de um fórum sobre cyberpunk, esbarrei no primeiro vídeo de Remember Me. E soube, desde aquele primeiro momento, que se tratava de algo especial. O jogo, ao lado de Watch Dogs, rapidamente passou a ser um dos assuntos mais comentados do tópico. Entretanto, pouco mais de um ano depois, esse entusiamo parece não ter durado. Nem mesmo em grupos especializados nas redes sociais.

Um dia antes do combinado com a Capcom (distribuidora do jogo), o IGN, site especializado em games, soltou sua crítica esmagadora. Daniel Krupa, de forma bastante superficial, deu uma das piores notas do veículo em anos. Enfatizou em seu texto os problemas técnicos da produção. Nesse quesito, suas reclamações até fazem sentido. Mas o impacto de sua opinião sobre os jovens, que não tem senso crítico, já tinha feito escravos.

Como nas críticas de Cinema, em que as pessoas esperam pelo veredito do bonequinho sabe-tudo, os jovens players, que tanto se dizem diferentes do senso comum, preferem deixar que alguém lhes diga o que é bom ou ruim. Reclamam da mídia em geral, embora achem que a especializada é diferente. O ser humano permanece inocente e curioso, não é mesmo?

Ainda bem que existem alguns que se baseiam apenas nas sinopses. São estes que não entenderam o motivo de tanto ódio dos críticos em relação a “Remember Me”. E concluem que a ideia por trás de um filme, game ou livro é o fator mais importante de uma obra. O mundo do entretenimento está entorpecido. Nos games só existe espaço para shooters, zumbis, guerras e RPGs medievais. E isso é muito triste.

A produtora DONTNOD, que trabalhou no jogo por cinco anos, sabia muito bem que o que queria. Uma aventura sci-fi cyberpunk com influência direta do gênero. Um heroína mestiça que rouba e altera memórias em uma metrópole dominada por uma megacorporação. Sem deixar de lado as pinceladas filosóficas e a trilha sonora ambientada para esse tipo de história.

A princípio seria um exclusivo para Playstation 3. Mas a Sony, dentre outras coisas, queria um homem como caçador de memórias. Os criadores não abriram mão e a multinacional saiu do projeto. Os reais motivos (machismo), infelizmente, não foram revelados. Mais tarde, a Capcom abraçou a ideia e as primeiras informações foram divulgadas na Gamescom 2012.

Lançado no dia 4 de junho, “Remember Me” tem, efetivamente, algumas questões que poderiam ter sido diferentes. A mais importante delas é a jogabilidade. A câmera mexe sozinha na hora dos saltos e lutas. O mundo é riquíssimo, mas impede o jogador de explorá-lo. Os detalhes estão lá assim como as barreiras de um jogo linear. Acredita-se que inicialmente tenha sido planejado para ser free roam porque realmente é tudo muito bem feito nesses ambientes que não se pode alcançar. Contudo, o orçamento de finalização da Capcom provavelmente comprometeu uma série de coisas.

Outro ponto é o tamanho do jogo: apenas oito capítulos. Histórias interativas como essa precisam ser maiores. A jornada de Nilin se passa em Neo-Paris e portanto não temos como combater muitos inimigos diferentes. Mas, pelo menos, cada um dos chefes de fase poderiam ter uma dinâmica própria. Ainda no lado técnico, a dublagem tem problemas de sincronia.

Mas como dito antes, e mesmo com os problemas citados, o crucial aqui é a história. A equipe de criação está de parabéns pela ideia do jogo. A ambientação em um futuro distópico, todo o conceito cyberpunk, a trilha sonora magistral criada por Olivier Deriviere, o drama familiar e a filosofia são as únicas coisas que importam. Já pararam para pensar no quão poderoso seria remixar memórias alheias? Mudar a vida de milhões e os problemas que isso poderia acarretar? Seria interferir na ética e no livre-arbítrio de cada ser humano! Tecnologicamente assustador.

RememberMe_MemoryRemixInspirado em filmes como Blade Runner e Strange Days, livros como 1984, Do Androids Dream of Electric Sheep? e Neuromancer, Remember Me é único. E que, me parece, ainda será muito comentado num futuro breve. Até porque agora, Nilin precisa dar um jeito no mundo que, indiretamente, ajudou a destruir.

Remember you soon,

Felipe Boreli

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